O Pará
está no topo da produção de alimentos orgânicos no Brasil e ocupa a
segunda colocação, com 602,6 mil hectares em áreas destinadas para esse
tipo de agricultura e pecuária. Segundo dados do Ministério da
Agricultura divulgados recentemente, o Estado fica atrás somente do Mato
Grosso, com 20 mil hectares a mais. Em todo o Brasil, uma área de 1,5
milhão de hectares e 11,5 mil unidades de produção controlada são
ligadas ao sistema produtivo de orgânicos, com fazendas e
estabelecimentos de processamento.
O
especialista em fruticultura e produção vegetal e consultor de produtos
orgânicos, Henrique Oeiras, explica que produto orgânico é aquele que,
na sua produção, não utiliza tipo algum de agrotóxico nem fertilizante
químico, mas adubos orgânicos e alguns preparados naturais para combater
pragas e doenças. "O orgânico não contêm resíduos de agrotóxicos,
possui elevado valor biológico, tem maior durabilidade, contribui para a
saúde de produtor rural e sua família, e contribui à preservação do
meio ambiente", lista. De acordo com o Ministério, os produtores que
trabalham nessa linha recebem o selo SisOrg, que é obtido por meio de
uma Certificação por Auditoria ou por um Sistema Participativo de
Garantia.
Os
dados apontam ainda que entre os produtos orgânicos de destaque no
Estado estão o cacau, dendê, açaí e castanha do brasil. Além das áreas
para a produção, o Pará se destaca na quantidade de unidades de
produtores e empresas que cultivam produtos orgânicos. São 3,3 mil
produtores - bem acima do segundo colocado, que é o Rio Grande do Sul,
com 1,2 mil.
Devido
ao desempenho do Pará, a região Norte recebe o título de maior
produtora orgânica, com 778,8 mil hectares e 3,8 mil unidades de
produção, seguida pelo Centro-Oeste (650,9 mil ha e 1,1 mil), Nordeste
(79,8 mil ha e 2,9 mil), Sul (24,8 mil ha e 2,3 mil) e Sudeste (19,1 mil
ha e 1,2 mil).
Entretanto,
o consumo de produtos orgânicos no Brasil está ao redor de 1% de todo o
mercado de alimentos, ou seja, há muito espaço para crescer. Cerca de
70% da produção orgânica vendida no Brasil é feita em supermercados. Dos
países da América Latina, o Brasil é o país com maior consumo de
produtos orgânicos. Os dados são do IBD, uma das maiores certificadoras
da América Latina e certificadora brasileira de produtos orgânicos com
credenciamento IFOAM (mercado internacional).
Segundo
Jorge Portugal, vice-presidente da Associação Paraense de Supermercados
(Aspas), que congrega mais de 250 lojas e supermercados no Estado, há
pelo menos dois anos, a disponibilidade de produtos orgânicos nas lojas e
supermercados busca seguir a tendência nacional, mas esbarra em séria
problemática.
"Buscamos oferecer
produtos orgânicos na rede aos consumidores, entretanto, um dos
principais problemas enfrentados é que eles têm que ser certificado e
ainda não temos órgão de certificação no Pará, então a produção legal no
Estado não é suficiente para atender à demanda nesses espaços. Hoje,
muitos produtos disponíveis na rede são frutas e hortaliças e
beneficiados, como biscoitos e farinhas, em geral, vindos das Centrais
de Abastecimento do Pará (Ceasa) e a Companhia de Armazéns Gerais do
estado de São Paulo (Cagesp), que abastece grande parte do País",
ressalta o vice-presidente da Aspas.
Exigência da certificação limita os produtos aos supermercados
Uma
das pessoas que fala ter dificuldades de encontrar os produtos orgânicos
nas gôndolas das lojas e dos supermercados é a aposentada Vilma Mendes,
66 anos, que mora no Marco. "Sempre tive o hábito de consumir vegetais e
produtos orgânicos, principalmente, depois que tive câncer linfático,
há cinco anos. Mas encontro dificuldades de encontrar nos supermercados,
muitos tipos que procuro ainda não estão lá ou, às vezes, não estão de
boa qualidade", conta Vilma.
Por
outro lado, Rafael Brito, gerente geral de um supermercado no bairro de
São Brás, em Belém, onde vende produtos orgânicos, observa que há
elevação no consumo. "Todas as semanas acontecem dois abastecimentos dos
produtos certificados vindos de São Paulo. Hoje, por exemplo, as vendas
de orgânicos foram em 15% e varia a cada dia. O cliente já sabe a
locação do produto e o selo o identifica. Temos temperos e verduras:
cebola, jerimum, abóbora, vagem, chuchu, acelga, alface americana,
couve-flor. As frutas ainda têm pouca demanda, porque há pouco
fornecedor. O mix de produtos aumenta e buscamos sempre essa tendência",
afirma o gerente.
A
certificação dos produtos orgânicos é exigida desde janeiro de 2011, com
atualização da Legislação Brasileira de Produção de Orgânica nº.
10.871, a qual prevê normas desde a produção até a comercialização. "De
certa forma, a lei impede que as lojas e supermercados comercializem
produtos que não têm certificação, mas facilita que o agricultor venda
seus produtos sem certificação quando vende diretamente ao consumidor
final nas feiras ou mercados. As lojas e supermercados só podem adquirir
os orgânicos de produtores ou distribuidores que apresentem a
certificação, que é concedida por uma empresa privada, reconhecida pelo
Ministério da Agricultura", esclarece especialista em fruticultura,
Henrique Oeiras.
Hoje,
o único produto orgânico regional certificado é a laranja, em Capitão
Poço, nordeste paraense, e o custo foi bancado pelo próprio agricultor
fora do Estado. "A produção de orgânicos no Pará ainda é tímida e
isolada, mas, nos últimos dois anos, melhorou a partir da criação da
Associação Pará Orgânicos, formada por um grupo de produtores e
registrada no Ministério da Agricultura. Os produtores buscam, cada vez
mais, se aproximar da qualidade e de técnicas e metodologias saudáveis
para todo mundo", diz o especialista. As principais certificadoras no
País estão no Paraná, São Paulo e Santa Catarina.
Onde e quando comprar orgânicos
Acompanhe os dias da Feira de Produtos Orgânicos em Belém, aos sábados, sempre das 7h às 12h.
Junho 2012
Dia 16 - Praça Brasil
Dia 23 - Praça Batista Campos
Dia 30 - Praça Brasil
Julho 2012
Dia 07 - Praça Batista Campos
Dia 14 - Praça Brasil.
Secretaria de agricultura estimula plantio e comercialização
Independente
dos orgânicos, o vice-presidente da Associação Paraense de
Supermercados (Aspas), Jorge Portugal, afirma que há também a
preocupação com a venda dos produtos convencionais. Por isso, desde
2011, a Associação realiza análises semestrais em laboratórios para
identificar em que nível está a produção regional de hortaliças. "O
índice de resíduos de agrotóxicos nos produtos regionais foi abaixo de
5%, quando em nível nacional é de 30%. A metodologia utilizada no estudo
foi de coleta, feita de forma semelhante pelos órgãos de fiscalização e
aplicada em laboratórios credenciados em São Paulo. Com isso, podemos
vender os produtos convencionais, que não são orgânicos, no mercado
local tendo a certeza de que são de boa qualidade e não fazem mal à
saúde", garante Portugal.
O
gerente de Floricultura e Olericultura da Secretaria de Agricultura do
Estado (Sagri), Hildener Franco, afirma que a Empresa Brasileira de
Pesquisa Agropecuária (Embrapa), vinculada ao Ministério da Agricultura,
Pecuária e Abastecimento, conta com laboratórios credenciados que têm
condições de fazer os exames legais dos produtos orgânicos. Franco
destaca que a Secretaria faz parte da Comissão Estadual de Produção
Orgânica, criada em 2005, e atua dentro de suas especificidades.
"Cabe a Sagri
fomentar a produção e comercialização. Na primeira, distribui sementes
orgânicas, que são hortaliças em geral, realiza treinamento. Em 2012,
capacitamos mais de 100 produtores em diversos municípios paraenses, em
especial do nordeste. Na comercialização, temos apoiado a realização de
feiras que conta com a participação de diversos agricultores no Estado
que produzem hortaliças, frutas e flores", explica Franco.